Com o passar dos anos, o nosso cérebro sofre alterações naturais: ocorre uma redução do volume em regiões importantes como o hipocampo e o córtex frontal — áreas associadas à memória, coordenação e planeamento motor. Este processo pode traduzir-se num declínio cognitivo e funcional progressivo.
Mas há boas notícias: vários estudos mostram que o exercício físico regular é uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde do sistema nervoso e abrandar o envelhecimento cerebral.
Uma revisão da literatura que analisou 22 estudos clínicos envolvendo mais de 1.400 idosos concluiu que a prática regular de exercício físico está associada a:
- Maior neuroplasticidade — ou seja, maior capacidade do cérebro para criar novas ligações;
- Melhoria das funções cognitivas e executivas (memória, atenção, raciocínio e tomada de decisão);
- Atraso da atrofia cerebral e aumento do volume em regiões relacionadas com a aprendizagem;
- Melhor qualidade de vida e maior autonomia nas atividades do dia-a-dia.
Os melhores resultados foram observados em programas que combinavam exercícios aeróbicos e de força, realizados de forma regular e supervisionada. Mesmo em idades mais avançadas, o cérebro mantém a capacidade de se adaptar e evoluir — desde que estimulado de forma consistente.
Em suma, o movimento é um verdadeiro aliado do cérebro. Praticar exercício físico não só fortalece o corpo, como também protege a mente e promove uma longevidade cognitiva mais saudável.
A 11ª edição do manual da American College of Sports Medicine (ACSM) é a principal referência mundial em avaliação da condição física, prescrição de exercício e promoção da saúde.
Esta edição atualiza as recomendações baseadas em evidência científica e reforça o papel do exercício físico na prevenção e tratamento de doenças crónicas.
Coelho, F. G. de M., Gobbi, S., Andreatto, C. A. A., Corazza, D. I., Pedroso, R. V., & Santos-Galduróz, R. F. (2013). Efeito do exercício físico nas funções cognitivas e no sistema nervoso central de idosos: uma revisão sistemática da literatura. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 16(1), 7–20.